segunda-feira, setembro 10, 2007

Mar


Mar, assustas-me.

Há muitos anos
não tinha medo de ti.

O sussurro das águas.
O vaivém das ondas.
A imensidão
dos teus domínios;
Fascinavas-me...

Entrava nas tuas águas,
sentia a união do meu corpo e do teu ser,
num desafio à luta,
à volúpia
dos teus remoínhos,
dos teus abraços,
ora violentos, ora suaves.

Hoje assustas-me...
Tu és incansável e o meu corpo
já não acompanha os teus desafios.

Mar, não perdeste encanto
nem fascínio.


Na mera contemplação do teu mundo,
continuam a encontrar-se as nossas almas,
numa calma e doce

harmonia e comunhão.

(Texto de Noémia Carvalhosa, Baleal, Julho de 1996)
fotos de Maria Carvalhosa, Agosto de 2007

21 comentários:

Graça Pires disse...

Bela esta "confissão" pelo fascínio e pelo temor do mar. Como se a mesma coisa que nos faz "perder o pé" nos salve pelo olhar. Um beijo Maria.

Entre linhas... disse...

o mar aquele oceano magnífico,ora revolto ora calmo,numa dança constante.
Bom início de semana
Bjs Zita

Olhos de mel disse...

Fascinante esse poema e perfeito com o cenário...
Que sua semana seja feliz!
Beijos

rui disse...

Olá Maria

Lindo poema!
Entendo o teu receio pelo mar, eu também prefiro quando ele está bonacheirão.
Mas o maior fascínio, é provocado pela sua beleza revolta, aquela que nos impõe respeito.

Beijinho

maria carvalhosa disse...

Meus amigos,

Parece-me haver aqui alguma confusão, mais do que natural, que pretendo esclarecer, antes de mais. Noémia Carvalhosa, autora deste texto, é a minha mãe que, gentilmente, me dá o prazer de colaborar, de longe a longe, com alguns dos seus escritos no meu blogue.

Obrigada, em seu e meu nome, pelos simpáticos comentários.

Beijos.

Licínia Quitério disse...

Parabéns a essa Família cuja Casa comum acolhe a sensibilidade e o bom gosto.

Um grande abraço, Amiga.

mafalda disse...

Olá Maria,
que maravilha regressar e encontrar o teu espaço cheio de notícias boas: a exposição da Júlia, as tuas distinções no Concurso de Contos, esta fantástica metáfora da autoria da tua mãe, que estabelece uma analogia entre o mar e o amor.
Posso perceber o que ela diz: a dada altura, quando o Outono da vida se aproxima, o prazer (ou o receio) de entrar nas águas revoltas do mar pode assemelhar-se ao da entrega a uma relação amorosa verdadeiramente física... já o amor sem necessidade da intervenção de demonstração material não tem limites de qualquer espécie... é possível amar (sentir amor) até à hora da morte.

Beijos e parabéns a essa família de almas sensíveis.

aquilária disse...

a contemplação que é, ainda e simultaneamente, uma posse e uma entrega.

abraço a mãe noémia e a filha

Rosa dos Ventos disse...

Um belo poema para uma bela imagem!
Abraço

Luisa disse...

Noémia, como as gerações se compreendem! Também eu mudei a minha maneira de gostar do mar: agora é mais contemplação do que entrega. Lindos versos a exprimir bem esses cambiantes!

Olhos de mel disse...

Estive aqui e deixei beijinhos e votos de um fim de semana feliz!

rui disse...

Olá Maria

Vim espreitar.
Desejo um lindo fim-de-semana e deixo um abraço

carteiro disse...

agora sim, é mesmo tempo de voltar ao contacto mais assíduo :)
é bom poder voltar aqui e olhar este canto com a atenção merece.
São lindíssimas as palavras da tua mãe, sobre esse Mar que desperta sentimentos grandiosos.
E as fotografias são encantadoras.
Bom fim-de-semana.

Mel de Carvalho (www.noitedemel.blogs.sapo.pt) disse...

Querida Maria,

Entre mim e o mar, (esse mesmo mar, que nos une) existe um fascínio contemplativo. Em tempos era um fascínio de pele, de sal... hoje em dia é menos físico e mais emocional.
Talvez mais poético!

Beijo e bom fim de semana
Mel

mixtu disse...

o mar...
sabes para mim é confidente, tanta cousa conto ao mar...

abrazo europeo

bettips disse...

Donde veio o poético, o contemplativo amor, a doçura larga, os genes que em ti funcionaram maravilhosamente BEM! Fascinante conhecer-vos, a pouco e pouco...
(De Manuel Carmo é a exposição na Mãe d'Água, com materiais modernos, com efeitos de luz e sonoros. De Jorge Vieira a simples escultura na pedra, no "tal prédio" de 1953/55)
Beijinhos com mar dentro.

Rosmaninho disse...

Que-Noémia-Mar,
Que-Maria-Mar.
Que-Duas-Deusas-do-Mar.
Com-o-Fascínio-do-Mar.
Com-o-Dever-de-amar-o-Mar.
Com-o-de-verde-Mar.
Sem-medo-do-Mar.
O-Mar.

Luís disse...

O mar tem esse encanto sobre nós, não tem?

Maria disse...

Que poema lindo da Mãe, que fotos mais lindas da Filha....
É o fascínio que o mar exerce em nós... digo eu...

Beijinhos, Querida Maria

MF disse...

Lindo, Noémia! A relação eterna com o mar, que nos acolhe em sal e nos liberta em espuma... tal como Sophia nos diz "O mar azul e branco e as luzidias
Pedras – O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida."
Um beijo.

APC disse...

Magnífico momento a duas mãos, de dois olhares num só. Linda, essa conjugação, essa cooperação, a união dos afectos, por afecto e puro afecto!
Às poetizas, Parabéns! :-)