terça-feira, junho 17, 2008

Recordações


Desço às profundezas
do mar revolto
dos meus sonhos
e das minhas recordações.

Qual mergulhador,
aventureiro,
arrisco e pesquiso todos
os cantos e recantos
de rochas e corais.

Deslumbramento total!
Como tudo é diferente
agora, visto assim,
nesse repouso,
silencioso
e maravilhosamente belo!

Como tudo
me parece diferente
nos seus contornos
quase irrreais!...

Não me atrevo
a tocar-lhes.
Religiosamente descansam
e eu, limito-me
a contemplar,
respeitando assim
o sossego
de tantas atribulações,

encantos e desencantos.

(Noémia Carvalhosa)

10 comentários:

LuCe disse...

Silêncio maravilhosamente belo que precisa de palavras que o materializem :)

LuCe disse...

Como as ilhas que se tornam encantadas e desencantadas.

Perdido disse...

Que família de poetas! Um beijinho à mãe. E que gostei muito dos dizeres dela.

para ti também

d.e. disse...

Não sei bem porquê, depois de ler este poema dei comigo a retirar Sebastião da Gama da estante.
E a ler "Elegia para uma Gaivota".

pe.josericardo disse...

Desde sempre os meus pensamentos e os meus sentimentos voavam numa só direcção,cheios de silencios que eram gritos e lamentos, mas ao mesmo trempo hinos a beleza vista e não tocada, silencios cheios de carinho e de amor. obrigado pelos teu pensamentos que entram neste coração

dona tela disse...

Quer espreitar o projecto do meu novo "profile"?

Muito obrigada, mais uma vez.

bettips disse...

Estava eu a pensar:"como estará o mar dela, Maria C.?"
E vim aqui, encontrá-lo.
Como é bela essa mulher de poesia e vida!
Bjinho

Mel de Carvalho disse...

Maria, e o nosso mar?
Que saudades... mas a vida não me tem dado fins de semana ultimamente...
Bom que me tragas imagens como estas.

A música é linda, os poemas últimos (os que li agora, belíssimos igualmente)

Levo uma rosa e deixo um favo de mel num saudoso beijo ...da Mel

Maria disse...

Vim ler outra vez...
Hoje deixo dois beijos, um para a senhora tua mãe...

Luisa disse...

Um grande beijo à Noémia e um muito obrigada por me ter levado a sonhar com o mar e com as recordações que também contemplo religiosamente. Não lhes toco, não vão elas desfazer-se.