quinta-feira, setembro 04, 2008

Grão de Areia


Agarro um punhado de areia e, lentamente, deixo-o escapar-se-me entre os dedos até voltar a ficar com a mão cheia de nada.

Observo a mão vazia e reparo que uma, apenas uma pequena partícula daquele finíssimo pó, se manteve presa ao dedo anelar.

Tento retirá-la com o polegar, mas, teimosa que deve ser, parece ter ficado colada... talvez para sempre.

Sorrio de mim para comigo ao pensar nas múltiplas interpretações que poderiam ser atribuídas a este facto, aparentemente sem qualquer importância. A simbologia dos acontecimentos, por mais simples que pareçam ser, pode adquirir contornos e proporções inimagináveis, quando utilizada por mentes férteis.

Qualquer pessoa (eu própria) poderia agarrar neste minúsculo acontecimento e escrever um conto, por exemplo, ou fazer um poema, se para tal me sentisse inclinada...

Decido nada fazer. O meu pensamento voa para ti, em tropel, e entre nós dois, como se de um segredo se tratasse, fica o signo deste momento - o significado de um significante: grão de areia, imagem acústica sem relevância, embora de agradável sonoridade. O resto é o silêncio...

20 comentários:

Maria disse...

Decides naa fazer? Conseguiste (apenas!) escrever sobre sentimentos que nasceram de um simples grão de areia...
... e quantas memórias me troxeste, de outros grãos de areia, dessa praia, da ilha aí ao pé, para onde vou respirar para a semana (com ou sem grão de areia), porque preciso dela para me libertar...
Extravasa ternura, este post.
Obrigada, Maria

Um beijo com carinho, outro para a tua mãe

maria carvalhosa disse...

Obrigada, Maria, minha amiga sempre presente.
Beijos meus e da minha mãe, com muita ternura.

tulipa disse...

Olá Maria
Aquilo que escreve é lindo e poético. Adorei.

Estamos em Setembro e a palavra mais usada é a «rentrée»; fala-se de rentrée política e eu decidi falar sobre a «rentrée literária, sempre é um tema diferente.
Livros de pelo menos 16 escritores galardoados com o Prémio Nobel de Literatura, entre os quais José Saramago, vão ser lançados até ao final do ano em Portugal, o que constitui, se não uma raridade, uma marca de diferença desta "rentrée" editorial.

Também houve ontem a rentrée da chuva e parece já o Outono.

O que é importante é que estejamos com saúde para apreciar todas as rentrées à nossa volta.

É isso que desejo, muita saúde, paz, flores, poesia e miminhos.

Bom fim de semana.

Nota:Convido-a a visitar o meu blog, eu ficaria muito feliz.

Graça Pires disse...

"O resto é silêncio": um silêncio feito de palavras e de emoções. Belo o teu texto, Maria Carvalhosa.
Agradeço a visita ao meu "Ortografia" e os inúmeros comentários tão carinhosos que me deixaram sem jeito. Claro que podes usar os meus poemas. Eu é que agradeço a divulgação e toda a amizade. Um beijo grande.

Patanisca disse...

Estou de volta com um pedido de desculpa por não ter avisado que ia tanto tempo de férias. É visita rápida. Voltarei de novo para estar com tempo.

maria carvalhosa disse...

Ol� Gra�a,
Obrigada pelas tuas simp�ticas palavras acerca do meu escrito e pela autoriza�o concedida para divulgar a tua obra (ou parte dela...). Queria convidar-te para membro do multiply mas n�o tenho o teu endere�o de mail. Se estiveres interessada, envia-mo para o meu, que est� no perfil deste blogue.
Beijo-te com carinho e amizade.

maria carvalhosa disse...

Olá Patanisca,
Ainda bem que voltaste!... Tenho a certeza de que vens para aí cheia de belas e interessantes ideias.
Expectante, deixo-te um beijo terno.

maria carvalhosa disse...

Amiga Tulipa,
Vou visitar o teu blogue hoje à noite, com muito gosto. Logo terás notícias minhas.
Beijos.

Patanisca disse...

O RR diria que não há factos sem importância. Um facto é feito, portanto é poema.

É do poema que pode nascer a palavra... mesmo que esta seja apenas um movimento da voz, uma vibração, som ... perdido no silêncio do universo.

Ai que saudades tenho do meu mestre!

João Norte disse...

E resolvendo não fazer nada fizeste um texto muito bonito.
Assim vai escrevendo quem sabe.
Tudo pode ser pequeno como o grão de areia, se nos analisarmos talvez sajamos mais pequenos ou maiores conforme usamos a nossa inteligência.
Um abraço.

bettips disse...

Fugir à "feiura" de certas coisas, tu sabes.
Até um grão de areia pode brilhar, reflecte o luar e o sol.
Também há muitos silêncios, espinhos: mas há palavras que não se esquecem.
Beijinho Maria C.

maria carvalhosa disse...

Querida Bettips,
A tua generosidade e capacidade de perdoar os meus silêncios é inultrapassável. Não seria de esperar de ti algo distinto. Um dia destes... nada de promessas!
Um beijo muito carinhoso e toda a gratidão desta tua amiga que, embora tendo permanecido afastada de ti (de nós) durante um longo período, não te esquece. Nunca.

bettips disse...

Peno demais para ficar indiferente às penas dos outros. Tento sempre "compreender" quando os silêncios não são estéreis e antes se multiplicam como grãos. Mesmo areia.
Bjinhos

Graça Pires disse...

Maria, tem realmente um efeito difusor o multiply. Fui lá ver com toda a atenção os comentários. Fiz um link do teu "Quarto com vista"
Mais uma vez te agradeço essa divulgação. Ainda bem que as pessoas gostam daquilo que eu escrevo. A poesia é para quem a ama. Como eu. Como tu. Como todos os que me lêem. Um beijo.

margusta disse...

Querida Maria,
...um texto MARVILHOSO!!!...
Mostra bem a pessoa sensivel que és!

Tenho andado afastada...muito ocupada e com um problema de saúde...

Deixo-te um abraço muito apertadinho!!!

mel de carvalho disse...

Vir aqui é garante de encontrar qualidade de escrita.

Saudades já, Maria, de a ler.

Fraterno abraço da Mel

Licínia Quitério disse...

Passeio por aqui. Em silêncio.
Hoje deixo um beijo.

Perdido disse...

Como já falámos hoje não me vou delongar. O safado do Gervásio pregou-nos a partida, certo?

Grão de areia. Hei-de ler e depois comento, certo? Por agora chega-me de areia. No deserto nem se vêem os grãos. É como as gotas de água no mar...

Beijinhos (se quiseres, telefona que eu vou andar com a geringonça ligada)

dona tela disse...

Uma semana muito fixe para si.

tulipa disse...

Olá Amiga recente
MARIA

quem me dera um dia saber escrever como TU.
Para já, são estas as palavras que saem cá de dentro:

Caminhos
muros, pedras
portas
rangem de fúria
desconcertam-me
estremeço
oiço vozes
grito, fujo
vou sem destino.


Até sempre.