
Não era vulgar encontrarem-se. Os Woolf nunca saíam de Inglaterra e os Fitzgerald, esses viajavam muito entre os Estados Unidos e a Europa, embora no velho Continente os seus locais de permanência mais frequentes fossem Paris e a Riviera Francesa. Também íam a Roma de quando em vez.
Quis o acaso que, naquele inverno de 1931, F. Scott Fitzgerald se tivesse deslocado à Grã-Bretanha, deixando Zelda, por uns dias, sozinha no Sanatório, na Suíça, para tratamento de uma das suas crises psicóticas.
Leonard Woolf era um homem reservado e raramente falava da doença de Virginia, que tanto o afligia. Naquele dia encontrava-se particularmente apoquentado pelo estado de exaustão a que a esposa tinha chegado na sequência de ter terminado o seu romance "As Ondas". Dirigia-se para Londres para, precisamente, conversar com o médico sobre a bipolaridade de que a sua mulher padecia e para com ele trocar impressões sobre a evidência dos sintomas de um estado confucional extremo.
Foi debaixo de uma irritante chuva miudinha que os dois maridos angustiados se cruzaram e, tendo-se reconhecido, para ali ficaram, horas a fio, debaixo do mesmo chapéu, a comparar a miséria em que os amores das suas vidas haviam tornado os seus quotidianos.
Já completamente ensopados, concordaram "A genialidade tem um preço" ... "e o verdadeiro amor também pode ter", concluíram. "Quando juntamos os dois..." disseram em uníssono, com um sorriso amargo.
"Adeus Leonard, as melhoras da Virginia".
"Fica bem Scott, e que a Zelda recupere em breve".
Separaram-se com um abraço e seguiram caminhos opostos. Apesar de molhados e tristes, ficou no espírito de ambos um doce sentimento de consolo, por terem exposto e compartilhado a dor, falado dos desgostos e preocupações, confessado abertamente as suas paixões desmedidas pelas mulheres fabulosas a quem haviam dedicado as suas existências, mau-grado o sofrimento causado pelos desequilíbrios emocionais com os quais se haviam habituado a conviver (e que viriam a vitimá-las!).












Deambular por entre os mastros, as cordas, arriscar uma descida pela escada íngreme a que a porta aberta convida.







(lua do Cabo, México)