quinta-feira, setembro 21, 2006

Do México, com amor


Quién me compra una naranja para mi consolación?
Una naranja madura en forma de corazón.
(José Gorostiza)



Te amo ahí contra el muro destruido
contra la ciudad y contra el sol y contra el viento
contra lo otro que yo amo y se ha quedado
como un guerrero entrampado en los recuerdos
(Homero Aridjis)

Digamos que no tiene comienzo el mar.
Empieza donde lo hallas por vez primera
y te sale al encuentro por todas partes.
(José Emilio Pacheco)


Trópico, para que me diste las manos llenas de color.
Todo lo que yo toque se llenará de sol.
En las tardes sutiles de otras tierras pasaré con mis ruidos de vidrio tornasol.
Déjame un solo instante dejar de ser grito y color.
Déjame un solo instante cambiar de clima el corazón,
beber la penumbra de una costa desierta,
inclinarme en silencio sobre un recóndito balcón,
ahondarme en el manto de pliegues finos,
dispersarme en la orilla de una suave devoción,
acariciar dulcemente las cabelleras lacias
y escribir con un lápiz muy fino mi meditación.
¡Oh, deja de ser un solo instante el Ayudante de Campo del sol!
¡Trópico, para qué me diste las manos llenas de color!
(Carlos Pellicer)

segunda-feira, setembro 18, 2006

Antecipando o Outono


Em antecipação
já sou tronco, ramo e folha envelhecida.

Como paradoxo,
quando estou prestes a caír -
- mais uma folha caduca,
a juntar-se ao quase infindável universo de folhas
do tapete amarelo e vermelho,
cobertura de veredas e caminhos
de todos os parques e jardins -
- sinto que o auge da beleza foi por mim alcançado.

Quem disse que o fim é, obrigatoriamente, feio e triste?

sexta-feira, setembro 15, 2006

...uma chave perdida...


Fotografia de Sandra Farinha*
* para ver mais fotos desta autora, clicar em "Olhar Atento", nos meus links.


A velha porta.
A tua alma.

A vontade de transpor o limiar e descobrir o que a misteriosa barreira encerra.
O desejo de ler os teus pensamentos e conhecer os segredos que, no teu espírito, laboriosamente se escondem de mim.

A certeza de que a chave existe.

Ajuda-me, por favor.
Por onde devo começar a busca?

quinta-feira, setembro 14, 2006

domingo, setembro 10, 2006

Janelas

A propósito das "Janelas" da Maria P., na sua Casa de Maio, com um beijinho:

Júlia Calçada * (Janela - óleo sobre tela) (1)
* para ver mais pinturas da autora clicar em jc, nos meus links
Aurora boreal
Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas,
quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
(António Gedeão)
(1) Inspirado numa pintura de Manuel Amado

sábado, setembro 09, 2006

Retrato de Casal



Só para fechar o ciclo:

Predadores na idade mais-que-madura (quando o que resta é ternura, "como dizia o outro"...;))

Retrato do Predador enquanto Fêmea




Em resposta ao desafio do Paulo Cunha Porto, com muito gosto:

Pode ler-se na Wikipédia:

"Esses grandes felinos vivem em bandos, de 5 a 30 indivíduos, sendo os únicos felinos de hábitos gregários. Em um bando, há divisão de tarefas, as fêmeas são encarregadas da caça e do cuidado dos filhotes, enquanto o macho é responsável pela defesa do território.
Apesar de geralmente se considerar que as fêmeas efetuam a maior parte da caça, os machos são igualmente capazes, se não melhores caçadores.

As fêmeas são sociais e caçam de forma cooperativa, enquanto os machos são solitários e gastam boa parte de sua energia patrulhando um extenso território. As fêmeas precisam de um tempo extra para caçar, porque os machos não cuidam dos filhotes. As leoas formam manadas de dois a dezoito animais da mesma família, o que as caracteriza como o único felino realmente social. Apesar de a caça em grupo ser mais eficiente do que a caça individual, sua eficácia não é tão compensadora, já que, em grupo, é preciso obter mais alimento para alimentar a todos. É mais provável que a socialização das fêmeas vise a proteger os filhotes contra os machos."

De momento, parece-me desnecessário acrescentar considerações próprias, embora muito se possa divagar acerca das motivações e comportamentos dos "predadores", dependendo da sua condição masculina ou feminina... ;)

quinta-feira, setembro 07, 2006

Retrato do Predador quando Jovem



Quem não conheceu o predador quando jovem?

Altivo, soberbo, confiante, implacável, não havia presa que lhe resistisse.

Quando saía para as caçadas, com o seu porte garboso, lançava um olhar de desafio aos restantes companheiros e avançava sem medos, com o triunfo antecipado por garantia e a impensada certeza de que iria ser sempre assim. Não se perguntava, sequer, por que razão os mais velhos ficavam para trás, limitando-se a acompanhar o seu afastamento com olhos tristes e cansados.
Conta quem o viu mais tarde que, atingida já a fase do declínio, ficava frequentemente no grupo dos idosos. Era com olhos gastos e melancólicos que assistia à exuberante partida para a caça da nova geração de jovens predadores.
Por vezes seguia-os, de longe. Escondia-se, envergonhado, se algum olhava para trás e o avistava.
Quando alcançava o local do banquete, contentava-se com os restos que os jovens predadores tinham deixado, depois de amplamente saciados.
(Imediatamente antes da chegada das hienas, e com algum avanço sobre os abutres.)

segunda-feira, setembro 04, 2006

Metamorfose

(com um sorriso e uma piscadela de olho à Mnemósine) ;)



Sem mais comentários: estágios diferentes em indivíduos da mesma espécie, numa coexistência pacífica.