segunda-feira, outubro 05, 2009

Pássaros feridos

O meu grande amigo Alberto Pereira ganhou, nos Concursos de 2009 do "Ora, Vejamos..." o 2º prémio no género poesia e o 1º prémio no género conto. A querida Zélia Santos diz os seus poemas como ninguém e aqui está, para nosso bel-prazer, um excelente vídeo que produziu. A não perder!



PÁSSAROS FERIDOS

Estremeço,
já não vejo os pássaros que nasciam na garganta
quando dizias meu amor.
Esses partiram há muito
e no seu lugar, quero dizer-te,
sonham tempestades.

Nunca a eternidade se demorara na pele
como nesse tempo.
Trazíamos o céu entre os anéis
e a força com que apertávamos o paraíso.
Deus sentava-se no coração
a adiantar as horas,
a manhã chegava mais cedo.
Era urgente não adormecer,
viviam-se muitos anos num dia
e cada pensamento
coleccionava o mundo inteiro.

O sangue ruiu quando partiste.
Descobri então que o corpo
não tinha lista de espera para as cicatrizes.
Até Deus enlouqueceu,
grita que a escuridão é mais fácil de respirar.

Somos delírios
e a morte um vício para sempre.

Autoria: Alberto Pereira