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domingo, abril 02, 2017

segunda-feira, abril 18, 2011

Naquele tempo


Berthe Morisot - Reading


Naquele tempo
passava os dias a ler o que escrevias.
Deixava-me extasiar
com o teu verbo fluente,
a simplicidade da tua arquitectura poética,
os múltiplos e profundos sentimentos
que em mim fazias despertar.

Naquele tempo
acreditava que HOJE podia ser SEMPRE
e que nós tínhamos vindo para ficar.

Era assim naquele tempo...


(inspirado num poema de João Villalobos, publicado no blogue "as penas do flamingo", em 03/06/2010)

sábado, janeiro 01, 2011

Réveillon



"Vem... vem comigo"
Óleo sobre tela de Júlia Calçada



Não estava frio mas era, sem dúvida, uma noite de inverno.

O céu, pintado de negro,  abria-se, de quando em vez,  para  deixar cair mantos de chuva cerrada que, rapidamente, escondiam estradas. Em seu lugar surgiam rios, com furiosos caudais que tudo arrastavam. Raios de luz cegavam, momentaneamente, quem os olhava de frente, que logo de seguida ensurdecia, sem possibilidade de aguardar uns segundos pelo estrondo dos trovões.

Poderia tratar-se de uma tempestade tropical, em pleno verão, num outro local. Mas era inverno -  a última noite do ano, no hemisfério norte do planeta que incessantemente nos transporta, em movimentos de rotação e de translação, sem que disso nos consigamos aperceber. 

Ela estava deslumbrante, vestida a rigor para uma noite de festa. Disse-lhe: "Vem... vem comigo!". Ele foi. Segui-la-ia, a nado, se necessário fosse, contra a força das enxurradas que, lá fora, iam cobrindo o mundo material até há minutos conhecido de ambos.

Afinal, nada de heróico seria necessário da sua parte para lhe fazer a vontade: era tão-somente para o andar de cima que ela o convidava. Subiu os degraus, no seu encalço, não arriscando perder o rasto do perfume que, na escuridão da casa, apenas entrecortada pela luz dos raios que não cessavam de imitar um esplendoroso fogo-de-artifício, lhe servia de guia e salvação.

Entraram no quarto dela onde, providencialmente, velas haviam sido distribuídas, fornecendo a luz suficiente para que pudessem usufruir do jantar, servido na mesa redonda, junto a uma janela adornada com grossos cortinados de veludo.

Ele ainda pensou, por momentos, nas possíveis tragédias que, naquela inimaginável noite de passagem de ano, poderiam estar a ocorrer fora do aconchego da casa, do quarto onde se encontrava, suavemente iluminado e docemente aromatizado,  num ambiente quase mágico.

Completamente à mercê dos sentidos, seduzido pela beleza e sensualidade da sua anfitriã, ao segundo copo de champanhe já esquecera a tempestade, o mundo lá fora, a desgraça iminente das gentes, esses outros que não tinham um refúgio.

As doze badaladas fizeram-se ouvir no relógio antigo, próximo deles, na parede junto à janela. Brindaram ao novo ano, como se mais ninguém existisse no mundo e a vida pudesse ser sempre assim!

Francisco acordou sobressaltado, com o ruído das águas que, de rompante, lhe entravam no quarto, prestes a atingir a cama, a escassos três palmos do chão. Ouviu gritos lá fora, alguém que pedia ajuda... como é que pudera adormecer com aquele temporal, sozinho no seu casebre, no fundo duma rua estreita e íngreme, leito natural de qualquer cheia? Com a fugaz luz dum relâmpago vislumbrou a sua companheira de réveillon: uma garrafa de aguardente, completamente vazia. 

Em menos de um minuto apercebeu-se de tudo. Não havia agora em que pensar, o necessário era agir. Num único salto, saiu da cama e em breve alcançou a porta da rua, que começava a ceder com a força da enchente. Ao abri-la, tombou-lhe nos braços uma jovem mulher que, agarrada com ambas as mãos ao batente da sua porta, começava a perder as forças e teria sucumbido à força da corrente, se mais dois minutos tivessem decorrido.

Pegou-lhe ao colo, subiu em corrida as escadas que  levavam ao sótão, onde a sentou a salvo, num velho sofá. Tirou-lhe a roupa molhada e embrulhou-a bem numa manta. Depois, aconchegou-se a ela e começou a falar-lhe, a tentar que ela se mantivesse acordada, lúcida, quente e, sobretudo, viva.

Logo, logo, ao raiar da manhã, no primeiro dia do novo ano, chegariam, seguramente, os socorros da autarquia!


quinta-feira, setembro 16, 2010

Ouvi dizer...!



Pintura de Júlia Calçada 
Óleo sobre tela
140 cm x 100 cm

Esta noite sonhei contigo de novo.

Ouvi dizer que, quando se sonha com alguém com tanta frequência e intensidade, é porque essa pessoa ocupou, ou ocupa, um lugar muito especial na nossa vida. Parece lógico, dito assim. Deixa de o ser quando pensamos que, no dia-a-dia, raramente nos lembramos dessa pessoa e, se o fazemos, é no contexto de página virada, de livro terminado e arrumado na estante.

Quando isto sucede, acordo sempre com uma dor no peito, com um anseio por ti, com uma indescritível saudade, que permanece ao longo do dia e me faz parecer desprendida, solta do chamado "mundo real", como se levitasse a uns escassos centímetros do solo e me deixasse levar para o mar por uma rajada de vento mais forte!

Continuo a sonhar ao longo do dia. Vejo e revejo imagens, sentimentos, emoções: tento refazer o sonho, como se efectuasse a montagem de um filme querido, cena a cena.

Por vezes desperto em lágrimas, outras há em que choro, convulsivamente, quando dou por terminado o tal trabalho de reconstrução, e o sonho não passa de um guião para um filme que nunca chegarei a realizar.

Ouvi dizer que compraste um veleiro e agora és Capitão. Que partiste com ela, a decrépita, alcoólica e quase demente Emily L, e que tencionam passar o resto das vossas vidas apenas um com o outro, ao sabor das ondas e dos ventos, atracando em cada porto e, aí, visitando cada bar.

Sempre me disseram que nenhum homem troca a sua jovem companheira por uma mulher consideravelmente mais velha!

Sei agora que  não se pode acreditar em tudo o que se ouve dizer!...

terça-feira, dezembro 22, 2009

Pasión


Aqui ficam os votos de um Bom Natal, para todos os meus amigos, com esta composição conseguida a partir de algumas pinturas da Júlia Calçada, acompanhadas pela pasión do Rodrigo Leão.


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sombra do Tempo



"A luz projectada na minha passagem deu-me a sombra, que me seguiu e guiou até hoje. A luz que continuo incessantemente à procura, essa, só a sinto através da sombra do tempo."

Pintura e legenda de Júlia Calçada


"É tarde", pensou. "Já não há tempo para que aconteça nesta vida. Talvez noutra... se a houver!"

Como num filme, em flashbacks, a sua mente foi atravessada por sombras do passado.

Depois, alheia ao ambiente movimentado do aeroporto onde aguardava pela entrada na máquina voadora que a levaria até aos antípodas, viu as sombras do presente. Deste momento que se lhe apresentava como a única saída, rumo a um futuro incerto e, seguramente, não planeado.

Tentou projectar o pensamento no futuro... e viu sombras desconhecidas, assustadoras... receio do porvir?

Afastou os cabelos da testa, num jeito peculiar, em períodos de tensão. Olhou o homem sentado a seu lado, o seu companheiro, aquele com quem já tinha partilhado sombras do passado, estava a repartir as sombras do presente e com quem iria dividir as sombras do futuro.

"Nada a fazer", pensou para si, novamente. "O meu destino para esta vida está traçado. Tenho assim tanto de que me queixar? Julgo que não... de qualquer forma, nunca conseguiria habitar vidas paralelas, em simultâneo. Resta-me, unicamente, a esperança de que, numa outra vida, com outra pessoa que, romanticamente, continuo a crer possa ser a minha alma gémea, possa concretizar um amor apenas imaginado, nunca materializado".

"Estão a chamar para o nosso vôo", disse o homem a seu lado, pousando a mão sobre a sua, com carinho, supondo que ela estava a dormitar, ou apenas em meditação profunda, facto que tantas vezes sucedia e que ele tentava respeitar, evitando qualquer pertubação brusca.

"Vamos, querido". Respondeu, com um sorriso, apertando a mão, que agora havia agarrado entre ambas as suas. Levantaram-se e ela enfiou o seu braço esquerdo no dele.

Ao caminhar em direcção ao balcão de entrada para o avião, olhou para trás. Vislumbrou umas sombras do passado, de um passado que poderia ter sido, mas nunca existiu a não ser na sua mente. Resolveu atirá-las para um futuro longínquo, improvável, todo ele construído sobre uma fantasia com que se deixava entreter nos momentos de insatisfação, de desânimo... ou talvez apenas quando se entregava a pensamentos de busca da felicidade, o tal mito de que ouvira falar, mas que acreditava nunca ter conhecido.

"Estás com medo?" perguntou ele. "Não tenhas, minha querida, vai correr tudo bem. Vamos, finalmente, ser felizes".

Não conseguiu responder. Limitou-se a acenar com a cabeça que não, que não estava com medo... enquanto, com a mão que tinha livre, limpava, rapidamente, uma teimosa lágrima que tinha insistido em escapar.

domingo, outubro 12, 2008

Espera sem Sentido

Before # 3 (*)

Preparava-me para a entrada em palco. Os últimos detalhes: o ajeitar do cabelo, o retocar da maquilhagem, o atar da sapatilha. Um estranho pressentimento havia-se instalado na minha alma. Um arrepio percorria-me o corpo, de cada vez que olhava para o relógio e via que os ponteiros avançavam vertiginosamente para a hora do início do espectáculo e, pela primeira vez, tu não tinhas telefonado.

Às 22h00 em ponto, sem nada dizer a ninguém, despi, atabalhoadamente, a roupa de dança, troquei-a pelas calças e pela camisola que tinha trazido, enfiei os pés nos sapatos e foi com o coração em ritmo acelerado que corri para o carro. Depois, para casa, onde entrei para me refugiar no nosso quarto. As minhas pernas não paravam de tremer, de uma forma incontrolável.

O telefone tocou. Alegrei-me, por um momento, supondo que eras tu...

Era o Director da Companhia de Bailado. Optei por não atender. Depois disso, tocou mais algumas vezes, mas nunca levantei o auscultador. Foram ficando sucessivas mensagens, ditadas pela sua voz grave e austera: primeiro de aborrecimento pelo meu inusitado desaparecimento; depois, de verdadeira zanga pelo facto de eu faltar ao espectáculo sem nada ter dito; por último, de alguma preocupação, acompanhadas de um pedido para que entrasse em contacto logo que possível.

Ao fim de, sensivelmente, duas horas, o telefone tinha deixado de tinir.

Waiting (*)
Estou cansada desta espera.
O desespero começa a apoderar-se de mim.
Por vezes vacilo, quase desisto, mas não consigo.
Aqui continuo, neste cansaço da espera: a espera de ti.

Quando compreendi que tinhas ido embora, sem deixar, sequer, um bilhete explicativo dos motivos que te levavam a abandonar-me, sem qualquer sinal de que havias, mesmo, ido para longe de mim, não quis acreditar.

Fiquei sentada no quarto, na cadeira de balouço, a olhar pela janela para as árvores que se agitavam com o vento, na vã expectativa de ouvir a chave rodar na fechadura, ouvir os teus passos na sala e ver-te entrar, com o meigo sorriso de sempre e uma justificação para o inesperado atraso.

Acabei por me esticar na cama, forçando o sono que teimava em não chegar.

Esperei toda a noite, sem conseguir adormecer.
Na manhã seguinte, decidi não ir ao Teatro. Que razão poderia eu invocar para atenuar a gravidade da minha falta? Em vez disso, vesti a roupa com que mais gostas de me ver dançar, calcei as sapatilhas e fui sentar-me no chão da sala. À tua espera: quando, finalmente, entrasses, começaria a dançar para ti, sem parar, até caír de exaustão nos teus braços, que me apertariam contra o teu corpo, como se nada tivesse sucedido.
O dia passou, lentamente, deixei de contar os minutos e as horas em que, ali sentada, com o meu mais lindo vestido, aguardava o teu regresso.

Veio a noite e continuei a longa espera.
Talvez se lhe tenham sucedido mais alguns dias e noites.
Perdi a noção do tempo.

Entregue à desilusão da tua ausência, ao desespero da solidão daquela casa, inexplicavelmente quieta, muda, sem vida, continuo, já sem forças, a aguardar o teu regresso, até ser sacudida, na escuridão da sala, pela fulminante luz de um relâmpago, imediatamente seguida do ruído ensurdecedor de um trovão.
Levanto-me e dirijo-me à varanda, ajudada como que por uma força exterior a mim, para fechar as janelas, abertas de par em par, e assim impedir que a chuva, que cai copiosamente, me invada o espaço, único bem que julgo restar-me.
Quando lá chego, grossas bátegas de água, trazidas pelo vento, açoitam-me o rosto, o corpo exposto, quase nú, o vestido de que tanto gostavas...

É então que pareço compreender: morreste. Estou liberta.

Não mais faz sentido a condenação àquela espera auto-infligida. A mágoa de teres desaparecido termina aqui, agora, à medida que a tempestade também vai amainando.

De repente, tudo fica claro: tu não mais voltarás e o mundo, lá fora, aguarda o meu retorno!


Dancing (*)

Recomecei os ensaios, de forma intensiva. Queria voltar a ser a bailarina que o público amava e se dava, plenamente, em palco, como forma de retribuir e agradecer esse afecto.

Ao fim de uns dias, tudo ficou a postos. Um novo espectáculo iria substituir o anteriormente interrompido, daquela forma brusca e nunca revelada. Mais um mistério adensava a minha vida... e esse facto espicaçava a curiosidade daqueles para quem eu me tinha tornado um mito.

Eu própria escolhi a música e desenhei a coreografia. Chamei-lhe "Espera Sem Sentido". O Director andava excitadíssimo com a perspectiva de um êxito de bilheteira. Os colegas eram gentis para comigo e não faziam perguntas: para minha surpresa inicial, acatavam as minhas directivas, sem qualquer contestação e, apesar de já ter coreagrafado de outras vezes, só agora compreendi que era considerada a líder do grupo.

Na noite da estreia voltei a sentir-me como noutros tempos. Durante o espectáculo fui um pássaro a voar naquele palco. Tive de novo a sensação de ter centenas de almas coladas à minha, a respirar em uníssono, comigo, suspensas de um passo, de um salto mais arrojado, de uma pirueta perfeita.

Nunca parei de sorrir enquanto dançava e, no entanto, lágrimas de pura felicidade rolavam-me pela face, ao mesmo tempo. Dançar era a minha vida. O que eu sabia e gostava de fazer. Mais: o prazer que dava àquela plateia, ávida de mim, era-me devolvido sob a forma de um sopro brando e morno, de genuíno êxtase.

No final da noite, foi uma mulher realizada que voltou ao camarim. Pedi que me deixassem a sós. Sentei-me na minha cadeira e deixei-me relaxar. Não tinha pressa e ninguém, ou nada, me esperava. Revi, calmamente, os acontecimentos recentes. De olhos fechados, percorri, como num filme dentro da minha cabeça, todos os detalhes daquela noite de glória.

Subitamente, bateram à porta. Chegava-me, do lado de fora, a voz da camareira, atrapalhada, que dizia: "Desculpe, minha Senhora, eu sei que pediu para não ser incomodada, mas está ali um senhor que afirma não abandonar o teatro sem a cumprimentar".

Sorri com gosto: por que não dar ao destino uma segunda oportunidade?

"Ele que entre, Cecília, mas só ele".

Quando a porta se abriu, os meus olhos embateram numa imensa braçada de lírios brancos.

O desconhecido baixou um pouco o ramo, e deixou-me entrever uns olhos azul-água, mais claros ainda porque marejados de lágrimas.

Depois, desceu-o ao nível do peito e vi o sorriso: aberto, terno, sem mácula. Único, afinal, insubstituível, porque mágico.

Levantei-me de um ímpeto e abracei-o. Do ramo de lírios, espalmado entre os nossos corpos unidos, subia um doce perfume, que me enlouquecia e fazia eternizar o beijo que conciliava as nossas bocas ansiosas.

Separámo-nos, por fim, e chorámos, rimos, dos lindos lírios amarfanhados, prestes a murchar com o calor que os nossos corpos haviam, sobre eles, exalado. Beijámo-nos muitas e muitas vezes, sempre a rir, e a chorar, e a balbuciar palavras loucas, nos curtos intervalos dos sôfregos beijos trocados.

Daquele dia em diante, passei a adicionar um acessório à minha indumentária de bailado: no cabelo, numa alça do vestido, preso junto ao coração, destacava-se, sempre, um perfumado e fresco lírio branco.

(*) pinturas de Júlia Calçada

quinta-feira, outubro 09, 2008

Mentira


Hieronymus Bosch - O Julgamento Final

A mentira do tempo.
O olhar perdido no espaço,
também ele imaginado.
A fuga enquanto solução temporária.
A mentira da vida.
A vida inteira numa mentira.
A suspeita, a dúvida, a incerteza.
O engano, o medo, a traição.
A ténue linha
que separa o sonho do real.
O pesadelo como real,
sem linha a separá-lo de um real outro.
A falácia da paixão eterna.
A mentira dentro da mentira.
O inferno da vida.
A descrença em algo diferente da vida no inferno.
O desejo, a tentação, o julgamento, o castigo.
A loucura como desculpa
para o inexplicável.
As noites infindáveis e os dias sem sol.
A mentira do amor.
A frase nunca proferida,
mil vezes ouvida,
ecoando, ininterruptamente, na mente transtornada:
"Já não é pra ti que eu corro,
não será por ti que morro".
A mentira da mentira.
Eu...

Margarida Costa in "A Outra"

quinta-feira, julho 31, 2008

A Tela da Vida


João Cristino da Silva (1829-1877)
Cinco Artistas em Sintra - 1855
Óleo sobre tela, 863 x 1288mm

"A obra Cinco Artistas em Sintra é, indiscutivelmente, uma obra emblemática do Romantismo português. Trata-se do primeiro retrato de grupo na pintura, foi elaborado com o objectivo de representar Portugal na Exposição Universal de Paris em 1855.Nela podemos observar cinco artistas rodeados por gente do povo e num ambiente agreste.A composição foi esboçada no local e apresenta-se de forma cenográfica, sugerindo o processo de trabalho típico do romantismo: pintura de paisagem ao ar livre, recolhida "do natural" e, posteriormente, elaborada em atelier. Esta obra é uma homenagem ao mestre Tomás de Anunciação que está no centro da composição (a pintar), e junto dele Francisco Metrass, com adereços do próprio autor - Cristino da Silva, que os gostava de exibir (chapéu à Rubens e capa larga). No segundo grupo encontramos Vítor Bastos (escultor), José Rodrigues (pintor), sentado no chão e Cristino da Silva (o autor da obra), encostado à rocha, elaborando um esboço, em pose artística.Nesta tranquila paisagem destaca-se o rochedo que de alguma forma confere unidade e coesão à obra. A presença de aldeãos que olham fascinados para o trabalho do senhor da cidade, representa uma espécie de ideal de ruralidade que fascinava os representantes do Romantismo português. Ao fundo, vislumbra-se o Palácio da Pena, um dos símbolos máximos do Romantismo, edificado por D. Fernando. As cores do quadro são terrosas, com predominância de tons de verde e castanho, sem grandes contrastes. A iluminação é estudada, dando o tom dourado de fim de tarde a toda a composição."

(Texto extraído de "Museus na Escola" museusnaescola.eselx.ipl.pt/static/instance/M...)


A Tela da Vida

A nossa vida é uma tela,
uma tela de mil cores,
todos nós pintamos nela,
somos bons ou maus pintores.

Com mais ou menos talento,
com tinta clara ou garrida,
por vezes com desalento
pintamos a nossa vida.

Há quem pinte com amor;
há quem pinte com paixão;
só não sabemos dar cor
ao que sente o coração.

Sabemos nós qual a cor
para pintar a amizade?
que tons daremos à dor?
como se pinta a saudade?

Ai, pobre de quem na vida
só tem negro p’ra pintar:
uma tela entristecida,
feita talvez a chorar.

(poema da autoria de Maria Teodora)

quarta-feira, junho 04, 2008

Poema ao Sol














(Willows at Sunset - Vincent van Gogh)



Te bendigo, ó Sol, que a beijar aqueces
esta terra sedenta dos teus beijos.
Em cada amanhecer quando apareces
palpita nela a vida em mil desejos.

Desponta o Sol radioso, cintilante
em cristais d’orvalho, a manhã começa;
bela, a flor abriu, sorriu deslumbrante
à luz que se espalhou numa promessa.

Crescem os cardos em qualquer lugar:
no chão mais pobre, áspero e daninho;
ao calor do Sol vão desabrochar
humildes flores na poeira do caminho.

Da terra brota água fresca e pura;
mas a semente que um dia alguém semeia
o Sol lhe dá vida, dá-lhe altura,
e cada vida é chama que ele ateia.

Tens o poder criador, ó Sol bendito,
a louvar-te sempre em cada hora, insisto;
és fonte de vida, bem infinito,
é porque tu existes que eu existo.

E quando no horizonte o Sol desmaia
ao fim da tarde, luminosa e quente,
- como se coada em fina cambraia -
cai sobre a terra a luz doce do poente.


(Maria Teodora)

quinta-feira, abril 17, 2008

Na paz da aldeia

Camille Pissaro
Era uma aldeia pacata. Os velhos, acomodados nas suas casas de originais telhados azuis, olhavam para os pomares floridos e sorriam: "mais uma primavera". Os novos, cansados do que consideravam a intediante tranquilidade da vida no campo, fugiam para a cidade, à primeira oportunidade de estudos ou trabalho. Alguns voltavam, por escassos dias, nas férias, e logo tornavam a partir.

Eugénia e Faustino eram um casal de meia-idade, sem filhos. Trabalhavam no campo, nos terrenos que haviam sido dos pais de ambos e dos respectivos avós antes destes. Mais para trás não sabiam e o facto pouco ou nada lhes interessava. Contentavam-se com a retribuição que a terra lhes dava, não conheciam outros lugares, a não ser as aldeias das redondezas e a vila onde, de quando em vez, se deslocavam para tratar de assuntos importantes, como pagar as contribuições, ou comprar uns pares de botas, para substituir os velhos botins por onde a água já entrava, quando os pés se lhes enterravam na lama.

Tinham aprendido a ler e a escrever na escola local, agora fechada, por ausência de crianças que a frequentem. Para além dos livros escolares, impecavelmente arrumados numa gaveta, não existiam mais livros lá em casa, com a devida excepção do missal, ao qual davam uso aos Domingos, altura em que aproveitavam para vestir alguma roupita nova, comprada nos saldos dos restos da colecção passada na loja da vila, da última vez que lá haviam ido.

Naquela quinta-feira, de manhã bem cedo, Faustino saíu de casa, sachola ao ombro, pronto a ir cortar umas ervas daninhas que circundavam as floridas árvores do pomar em frente à casa. Eugénia manteve-se na cozinha, a arrumar a loicita do pequeno-almoço e a dar umas vassouradas nas migalhas que pejavam o chão, de ambos os lados da mesa.

De repente, no silêncio da aldeia ainda semi-adormecida, ouviu-se um grito de horror.

Em poucos minutos, os poucos habitantes da aldeia, tinham-se juntado a Faustino e contemplavam, com expressões faciais que íam do espanto ao terror, os restos mortais daquela cabrinha preta, que pertencia ao tio Joaquim e jazia, pele e osso esticados, por baixo de uma ameixeira.
"Só pode ter sido obra do chupa-cabras..., deixou-a sequinha por dentro!" comentou a Alexandrina, que aproveitava a ocasião para fazer jus à sua fama de bem-informada.
"Mas se eu tenho a certeza de que a fechei ontem com as outras no curral, mulher! Como pode ela ter escapado?" perguntava o Joaquim, perplexo, coçando a cabeça, para voltar a enfiar nela o boné.

"Ai Deus nos livre de o mafarrico andar por aí outra vez!" sussurrou, benzendo-se, uma septagenária vestida de negro.

"Não diga disparates, tia Henriqueta, que uma coisa destas nunca se viu", ripostou Faustino. "Cá para mim, isto é mas é obra dos extra-terrestres. Noutro dia lá na vila ouvi dizer que tinham aparecido umas reportagens na televisão e que eles andam por aí."
"Pois foi", acrescentou Eugénia, "até nos disseram que apareceram pessoas a contar que tinham visto luzes estranhas e objectos a passar por cima das casas, sem barulho nem nada, que até pareciam coisas do outro mundo".

"E eram", a velha Henriqueta voltava a falar, "vai tudo dar no mesmo. Vocês não me acreditam, mas o mafarrico pode tomar as formas mais esquisitas. Coisa deste mundo é que isto não é. Ora olhem-me lá para o pobre animal! E como é que ele pode aqui estar se o Joaquim tem a certeza de tê-lo fechado com os outros bichos ontem à tarde, não me dirão?"

Durante alguns momentos fez-se silêncio. Por fim, o Faustino disse:
"Bom, não vamos ficar aqui todo o dia a olhar para a cabra morta. Vamos tratar de enterrá-la e ir à nossa vida, que temos mais que fazer".
Os outros concordaram e estavam já a abrir a cova quando a tia Henriqueta deu um grito:

"Esperem. Deixem, ao menos, chamar o padre João para benzer o bicho."
"Benzer uma cabra, tia Henriqueta? perguntou Eugénia, atónita, "nunca tal se ouviu dizer".
"Não é bem por causa da cabra, que eu também não acredito que ela tenha alma, é para afastar os espíritos deste sítio, para expurgar a maldição com água-benta, para correr com o chupa-cabras, o mafarrico, os extra-terrestres ou seja lá o que for... mal não faz, e sempre a gente volta para casa mais descansada."

"Está bem, tia Henriqueta", disse Faustino, condescendente. "A Eugénia dá lá um pulinho a chamar o padre que, a bem dizer, também devia ter aparecido por aqui!... " Riu-se com ar maldoso e comentou, virando-se para os homens: "mas a esta hora ainda deve estar com os pés quentinhos, enrolado na "prima Clementina", que lhe cuida da casa e não só!..." os outros riram-se a bom rir. As mulheres encolheram os ombros, abanaram as cabeças a olhar umas para as outras e debandaram para as suas casas.

Só a tia Henriqueta, arrastando-se com a bengala, ainda vociferou para o Faustino, antes de abandonar a cena "Ah, língua viperina! Ainda hás-de ser castigado por essa blasfémia" e foi-se, sempre a resmungar "ora não querem lá ver... coitado do Padre João, quem é que havia de tomar conta dele se não fosse aquela prima com um coração abençoado? Deus nos livre de caír na boca deste povo!".

segunda-feira, março 10, 2008

Continuando a Re-flectir com Júlia Calçada


Ter estado na inauguração de mais esta exposição da Júlia Calçada foi um privilégio. Para quem não teve essa oportunidade, recomendo a visita ao sítio "Olhares de Maresia", onde o António Rodrigues nos oferece a sua excelente reportagem fotográfica da magnífica mostra.


Votos de uma agradável visita!





terça-feira, fevereiro 12, 2008

Re-flectir

Pintura de Júlia Calçada - JC

Flectir.
Re-flectir.
Repetir a flexão. Uma vez, duas... mais dez. Só mais dez.
Outra vez: uma, duas... e dez.
O espelho devolve-me a imagem:
cada gesto, cada passo, cada sorriso ensaiado.
Um corpo que, maquinalmente, flecte e reflecte. Uma alma que o vê reflectido na crueza do imenso vidro espelhado para que, em consciência, nada se perca, nenhum movimento falhado, no reflexo, como na vida.
Cansada, sento-me no chão.
Dou por mim a reflectir na rotina de mais um dia de treinos.
Assim tem sido nos últimos 20 anos. Hora após hora, dia após dia.
Momento de reflexão. Não de arrependimento, não de desespero.
Adoro o que faço. Foi para dançar que nasci. É para bailar que vivo.
As noites de espectáculo, essas são sublimes. As luzes iluminam o palco e seguem a dança deste meu corpo, ao som da música que o transporta, que o eleva, que o faz executar o bailado, como uma gaivota num voo planado: sem fadiga, sem esforço, com um sorriso autêntico desenhado nos lábios, com um brilho verdadeiro reflectido no olhar.
Vem a apoteose, o aplauso entusiástico do público. Os sinceros "bravo" de quem apreciou. As flores a meus pés...
Reflicto: a vida pode ser bela. Uns minutos de felicidade apagam toda a mágoa acumulada ao longo de dias de ensaios intensivos e de noites infindáveis, sem dormir.
Quando danço, quase esquecida que o faço, reflicto a minha maneira de ser, de pensar, de sentir. Sou eu toda, ali, sozinha, perante uma plateia que me observa atentamente.
É nesses momentos que estou, afinal, a reflectir o meu verdadeiro íntimo, para o exterior, como uma dádiva, que estou a libertar os meus fantasmas, medos, desânimos. Também a minha alegria de viver, a paixão pela dança, a razão da minha existência...
Nessas ocasiões não reflicto. Liberta de barreiras, apenas sou.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Mãos

"Dá-me a tua mão" - óleo sobre tela de Júlia Calçada


Mãos que se tocam.
Mãos que se dão.
Mãos que se procuram e, por vezes, não se encontram.
A mão de uma criança procura a mão que a protege.
A mão de um adulto procura a de quem quer proteger,
ou a de quem quem quer agarrar, por um momento, ou para sempre,
ou mesmo aquela mão que já não é possível segurar...

Mãos que se tocam.
Mãos que se procuram.
Mãos que se encontram.

sábado, novembro 24, 2007

Johannes Vermeer - realidade e ficção

É interessante constatar como o grande pintor Johannes Vermeer utilizava, com raríssimas excepções, o mesmo cenário em todos os seus quadros: o estúdio, a janela do mesmo, fazem parte integrante da maioria das suas pinturas. O filme "Rapariga com Brinco de Pérola", cuja magistral direcção de fotografia mereceu ao português Eduardo Serra a 2ª nomeação para um óscar nessa categoria, mostra-nos esse espaço como "o espaço" do artista, numa reprodução exímia do recanto que podemos apreciar, repetidamente, nos seus quadros.










Curiosamente, num dos mais famosos quadros de Ian Vermeer, precisamente o "Rapariga com Brinco de Pérola", patente ao público no Museu de Haia, o pintor opta por ocultar dos olhares de quem observa a pintura o cenário mais habitual dos seus quadros, escolhendo, alternativamente, um fundo negro, do qual a figura sobressai em toda a sua plenitude. Quem era aquela rapariga? O célebre pintor holandês retratou uma rapariga de turbante e brinco de pérola. O famoso quadro tem sido, frequentemente, designado como a "Mona Lisa holandesa" e é considerado por muitos especialistas em arte como a obra-prima do pintor. Das várias hipóteses elaboradas para responder à pergunta, uma aparece no filme de Peter Webber...


História e ficção misturam-se, de forma inseparável, no reputado romance, "Rapariga com brinco de pérola", de Tracy Chevalier. A sociedade de Delft, na Holanda do Séc. XVII, é bastante preconceituosa, cria fossos profundos entre ricos e pobres, cristãos e protestantes e patrões e empregados. Quando Griet, uma menina de 16 anos, vai trabalhar como criada na casa do mais importante pintor da cidade, espera-se que esta saiba o seu lugar. Mas na casa de Johannes Vermeer, dirigida pela sua esposa, mentalmente desequilibrada, e pela sogra dominadora, a jovem logo desperta a atenção do patrão. Cativado pela sua atitude calma, intuição e fascínio pela arte, Vermeer leva-a aos poucos para o seu mundo – um lugar tranquilo, de cor exótica e luz ofuscante, sombras que mudam, e uma beleza inimaginável. O que ninguém suspeita, devido à imprescrutável personalidade de Griet, é que o seu fascínio pelos quadros de Vermeer irá levá-la ao mundo privado do pintor. É desta forma que, à medida que se torna testemunha do processo criativo do grande mestre, a sua paixão reprimida será o catalisador de um escândalo que atingirá em cheio a cidade e mudará, irremediavelmente, o curso da sua existência.


Diz-se que Tracy Chevalier teve a ideia de escrever um romance envolvendo a rapariga do retrato porque, desde os 19 anos, convivia com o poster de Vermeer na parede do seu quarto. Um dia, ao pensar sobre um novo trabalho, deu consigo a observar mais de perto a rapariga com brinco de pérola e, talentosa e atrevida como é, começou a imaginar que a história daquela rapariga daria um belo livro se descrevesse quem ela era, quais as sensações que teve ao ser retratada, se levasse os leitores a interrogar-se sobre a possibilidade de o seu sorriso ser apenas inocente, ou, pelo contrário, voluntariamente sedutor. Investigou sobre a vida do pintor, estudou o ambiente da cidade onde ele nasceu, algumas situações da época e manteve os nomes verdadeiros de sua mulher e sogra – Catarina e Maria Thins, respectivamente. Talvez tenha absusado da imaginação... não importa. Quando se trata de um romance, o rigor histórico não é exigido ao seu autor, sendo-lhe concedida total liberdade para ficcionar.

O Realizador do filme, Peter Webber, foi de uma delicadeza extrema na sua narrativa. A fotografia de Eduardo Serra é, ela própria, uma pintura. Scarlet Johansson tem uma interpretação irrepreensível, ao lado de um Colin Firth no seu melhor, no papel do pintor. Pode dizer-se, sem exageros, que o filme "enche as medidas" aos amantes da sétima arte.

Quanto à pintura de Vermeer, essa é imortal, perdurará muito para além dos livros que se escrevam e dos filmes que se façam sobre a sua vida!



quinta-feira, outubro 11, 2007

Sintra... Nas Brumas da Memória

"A Fonte das Brumas" - Gustavo Fernandes


"O eco de Anesir" - Luís Vieira-Baptista


"Noites Mouriscas" - Victor Lages

Foi em 1995 (já lá vão 12 anos, é verdade) que aceitei o convite para estar presente na inaguração de uma exposição do "Grupo Artitude", em Sintra. Três artistas na flor da idade, com sensibilidades, vontades e um atelier em comum, tinham acatado o desafio da Câmara Municipal para, ao sabor da imaginação e da arte, recriarem Sintra... nas brumas da memória. Foi esse o tema da exposição e ali pude encontrar inúmeras pinturas maravilhosas, destes três homens que, desde logo, passaram a fazer parte dos pintores portugueses contemporâneos meus preferidos.
Nesse dia adquiri os três quadros cujas imagens aqui reproduzo (e tive que me apressar porque a procura era muita!). Apaixonei-me, à primeira vista, por estas três pinturas, cada uma de seu autor, por mera coincidência.
Depois, com o correr dos anos, fui seguindo as suas carreiras, que trilharam caminhos distintos, uma vez desfeito o grupo que os impulsionou, e apreciando a evolução de cada um, tendo levado para casa mais algumas pinturas de um deles, aquele com quem julgo ter maiores afinidades, o que melhor dialoga com a minha "corda sensível". Continuo a visitar as exposições individuais de cada um dos três autores, sempre que posso, mas há já algum tempo que não consigo trazer comigo a ilusão de mais um pedaço das suas almas, para me fazer companhia, o tempo todo, no meu canto: "indisponibilidades financeiras", nada de mais...
Resta-me, além disso, visitar os seus sites para ficar actualizada relativamente às obras que vão produzindo... e sonhar... que volto a poder trazer para casa a materialização de uma ou outra que gostaria de ter sempre ao alcance do olhar, da contemplação.

segunda-feira, setembro 03, 2007

O espectáculo continua


A inauguração da magnífica exposição da Júlia Calçada aconteceu no dia 1 de Setembro, pelas 15 horas, na Biblioteca Municipal de Alenquer. A festa esteve à altura do mérito da pintora. Não faltou música, interpretada ao vivo por artistas de outra arte (familiares da autora), os amigos acorreram em massa e muitos outros apreciadores por lá passaram para a cumprimentar e, nalguns casos, deixar as felicitações escritas no livro ou, mesmo, comprar. A exposição vai continuar até dia 29 de Setembro, das 10 H às 19 H, excepto à segunda feira que é das 14 H às 20 H. Todos os trabalhos expostos têm por inspiração a bailarina-menina-mulher-artista que um dia surgiu na mente da pintora e a quem ela tem vindo a dar pose(s), estilo(s), vida(s). Esta mostra sublime intitula-se : "O espectáculo vai começar".

Como acredito que o espectáculo só agora começou, adquiri, para poder admirar em casa sempre que me apetecer, a tela designada "O espectáculo continua", acima retratado. Teria trazido muitos mais, se pudesse... (ai, ai!...)

Alguns amigos já tinham descoberto o fascinante trabalho da Júlia através do seu blogue JC. Para esses, que o conhecem e admiram, e para os outros, que nunca sequer visitaram o espaço, recomendo vivamente uma visita à Biblioteca Municipal de Alenquer. Apesar de as fotografias no blogue serem excelentes, os trabalhos ao natural ultrapassam, em muito, a beleza que constatamos ao contemplar as fotos. Além do mais, há surpresas... pinturas novas, lindíssimas, ainda não publicadas no blogue.