domingo, novembro 23, 2008

À Luz da Leitura


Taça de Luz V - foto de Paulo de Carvalho
No endereço
http://psdecarvalho.multiply.com/calendar/item/10009/10009,
pode encontrar-se o texto que passo a transcrever:

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Dia 13 de dezembro de 2008
Local: Centro Cultural do Serpro - Lapa - RJ

Em Almoço de Confraternização promovido pela Associação dos Ex-alunos do Instituto Benjamin Constant, será feita a entrega dos 50 cd´s do Projeto À Luz da leitura como presente de final de ano aos Deficientes Visuais. Os cd's terão o formato de página da WEB, contendo na Home Page um texto alusivo ao Projeto, texto da Instituição, Relação dos Poetas/escritores participantes em forma de link (todo o conteúdo estará no próprio cd).

Ao clicar no nome de cada um dos Poetas/participantes, os usuários navegarão até a página do respectivo autor onde terão acesso aos Dados do Autor (com link para as respectivas páginas e/ou blog na internet), poemas falados e na forma de texto.

Poetas/escritores participantes:
1- Abigail
2- Alberto Pereira
3- Eliana Mora
4- Fabio Rocha
5- Graça Pires
6- Maria Carvalhosa
7- Mariana Botelho
8- Mercedes Lorenzo
9- Paulo de Carvalho
10- Pavitra

obs 1: O Projeto À Luz da leitura é SEM FINS LUCRATIVOS e NÃO INSTITUCIONAL.
obs 2: O formato do projeto em cd foi desenvolvido por Paulo de Carvalho.

Obrigado a todos.
Atenciosamente,
Paulo de Carvalho
Unquote


Gostaria de aqui salientar que este projecto só foi possível graças à imensa generosidade, espírito de entrega e de solidariedade, bem como de exemplo de humanidade, por parte de quem o concebeu e liderou: o meu amigo Paulo de Carvalho, por quem tenho a maior das admirações.

Agradeço, igualmente, a todos os outos escritores/poetas que tenho a honra de ter como co-participantes nesta iniciativa, muito especialmente aos queridos amigos Graça Pires e Alberto Pereira que, mediante a minha sugestão, imediatamente aceitaram o convite do Paulo e disponibilizaram toda a sua obra poética para esta causa.

É com muita alegria que divulgo a materialização de tão nobre projecto e com genuíno orgulho que me
encontro nele inserida.

Obrigada, Paulo.

domingo, novembro 16, 2008

Lançamento do livro de poesia "O Áspero Hálito do Amanhã", de Alberto Pereira


"A 6 de Dezembro às 18.30, será apresentado em Lisboa, no auditório sito ao Campo Grande Nº 56, a obra poética "O Áspero Hálito do Amanhã" de Alberto Pereira, com prefácio de Xavier Zarco. O autor nasceu em 1970 na cidade de Lisboa; licenciado em enfermagem, participou em diversas antologias, tendo obtido, em 2008, o 1.º Prémio de Poesia "Ora, vejamos". Obra e autor serão apresentados pelo emérito poeta Firmino Mendes. De destacar, seguramente um bom augúrio para a carreira poética de Alberto Pereira, o facto de quer o prefaciador, quer o apresentador, terem sido distinguidos com o prémio Vítor Matos e Sá, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra."

O que acima se pode ler é uma citação "pura e dura" do que a editora publicou no seu site, na rubrica "Próximos Lançamentos": http://ediumeditores.wordpress.com/proximos-lancamentos/

O que vos posso dizer é que conheci o Alberto Pereira em Leiria, quando lhe foi atribuído o 1º Prémio no Concurso "Poesia sem Fronteiras 2008" do "Ora Vejamos...", que é um homem adorável, simples, simpático, afectivo e que, embora ele não o soubesse até há pouco tempo... nasceu, entre outras actividades, para escrever. Escrever prosa, escrever poesia, escrever sentimentos. É tímido e, como qualquer um que dá os primeiros passos nestas aventuras, precisa do nosso apoio.

Fica aqui o convite, meus amigos: vamos lá fazer-lhe a surpresa de assistir ao lançamento do livro? Vamos envergonhá-lo com aplausos até mais não poder? Bora!...

P.S. A editora não o refere mas, por favor, tomem nota que é no dia 6 de Dezembro do ano de 2008!!! (;)

O meu País



O meu Pais - música de "Luar na Lubre"
Há muito que não me deixava comover assim por uma música. Dos meus olhos, habitualmente secos, de tão habituados a chorar para dentro, brotaram lágrimas, ao sentir este delicioso acasalamento entre a sonoridade instrumental celta e a voz dolorida, o tom, os requebros do fado tipicamente português. O meu País não acaba no rio Minho, ao Norte de Portugal; estende-se para lá dele até ao Mar Cantábrico e só encontra a fronteira quando, em Ribadeo, chega ao fim das Ryas Altas, quando Viveiro, Porto Barqueiro e a Estaca de Bares já ficaram para trás.
O amor pela beleza dos lugares ... esse continua pelas terras das Astúrias... e mais à frente... sempre... até onde o sentimento pelas maravilhas deste planeta (ainda que, repentinamente, a minha direcção se inverta para oeste em vez de leste) me fazem sentir que Pátria é ligação afectiva, é o deslumbramento que ainda me causa este corpo celeste que, temporariamente, habito.

terça-feira, novembro 11, 2008

A irrelevância de um prefixo


Julguei conhecê-la. Vagamente. Passou-me ao lado na vida. Cruzámo-nos, algumas vezes.
Doutras, chegámos a estar tão próximas como estou da minha imagem num espelho.

Nunca gostei dela.
Nem ela de mim, suponho.

Agora, suporto-a melhor. Afinal, acabámos por envelhecer juntas e, se eu pensava que ela me tinha passado ao lado na vida, estava enganada: foi a seu lado que a minha existência sempre se desenrolou.

Não é a minha sombra, muito menos o meu reflexo. É a minha antítese, o contra-ponto com o qual convivo todos os dias e que me influencia de tal modo subreptício que chega a tomar, por mim, decisões que afectam, irremediavelmente, o meu quotidiano e medidas de longo prazo.

Cheguei a ter medo dela.
Agora é quase afeição o sentimento que desperta em mim.

Noutros tempos, quando pensava nela, só me ocorriam palavras começadas por "in" para a qualificar e, sem recorrer ao dicionário, saíam-me, de enxorrada, uma lista de defeitos que, dirigidos a alguém de verdade, soariam a insultos:

insensível
incapaz
indolente
inflexível
insuportável
indecorosa
incompetente
ingrata
insatisfeita
inconstante
inconsciente
incontrolável
inconsequente
incompreensível
inconsistente
indisciplinada
inconveniente
incorrecta
infernal
infecta
insana
insonsa
interesseira
impudente
intolerável
infiel
...

e poderia ficar a desfiar o rosário durante horas.

Mas que perda de tempo, penso hoje. E dou comigo a tentar encontrar-lhe qualidades, todas igualmente começadas pelo prefixo "in"que, dirigidas a alguém de verdade, poderiam soar a elogios:

inteligente
insubornável
interessante
inspiradora
incansável
insinuante
inovadora
inigualável
informada
ingénua
influente
infalível
irresistível
intensa
inaudita
independente
indestrutível
indulgente
incisiva
indescritível
instruída
inimitável
inesquecível
inocente
inestimável
insubstituível
...

e, mais uma vez, a lista poderia alongar-se até ao limite da vontade.

Sei que um dia partiremos juntas. Julgo igualmente saber que, quem nos recordar, não saberá de qual de nós fala, nem sequer que éramos duas, de cada vez que utilizar um dos adjectivos da primeira ou da segunda lista. Pouco me importa se isso suceder. Não seremos nós, na verdade, as duas faces de uma mesma moeda?

Margarida Costa in "A Outra"