terça-feira, junho 17, 2008

Recordações


Desço às profundezas
do mar revolto
dos meus sonhos
e das minhas recordações.

Qual mergulhador,
aventureiro,
arrisco e pesquiso todos
os cantos e recantos
de rochas e corais.

Deslumbramento total!
Como tudo é diferente
agora, visto assim,
nesse repouso,
silencioso
e maravilhosamente belo!

Como tudo
me parece diferente
nos seus contornos
quase irrreais!...

Não me atrevo
a tocar-lhes.
Religiosamente descansam
e eu, limito-me
a contemplar,
respeitando assim
o sossego
de tantas atribulações,

encantos e desencantos.

(Noémia Carvalhosa)

quarta-feira, junho 04, 2008

Poema ao Sol














(Willows at Sunset - Vincent van Gogh)



Te bendigo, ó Sol, que a beijar aqueces
esta terra sedenta dos teus beijos.
Em cada amanhecer quando apareces
palpita nela a vida em mil desejos.

Desponta o Sol radioso, cintilante
em cristais d’orvalho, a manhã começa;
bela, a flor abriu, sorriu deslumbrante
à luz que se espalhou numa promessa.

Crescem os cardos em qualquer lugar:
no chão mais pobre, áspero e daninho;
ao calor do Sol vão desabrochar
humildes flores na poeira do caminho.

Da terra brota água fresca e pura;
mas a semente que um dia alguém semeia
o Sol lhe dá vida, dá-lhe altura,
e cada vida é chama que ele ateia.

Tens o poder criador, ó Sol bendito,
a louvar-te sempre em cada hora, insisto;
és fonte de vida, bem infinito,
é porque tu existes que eu existo.

E quando no horizonte o Sol desmaia
ao fim da tarde, luminosa e quente,
- como se coada em fina cambraia -
cai sobre a terra a luz doce do poente.


(Maria Teodora)