domingo, janeiro 29, 2006

Apontamento (I)

Pissaro (Gelée Blanche)

Deixem-me caminhar
Até que tropece e desapareça
na neve

(Matsuo Bashô)

13 comentários:

Elisa disse...

E ninguém diga, Maria, que não é uma forma de vida tão válida como qualquer outra. Andamos todos a sobreviver. A viver também. Às vezes é coincidente!

maria disse...

Concordo, Elisa. Somos todos sobreviventes. A minha questão centra-se naqueles, presumivelmente mais infelizes que nós, que desconhecem que pode haver vida para além do nível básico da sobrevivência. Um beijo.

maria disse...

... desconhecem, porque nunca lhes foi dada oportunidade de conhecer,...

maria disse...

... digo eu... sei lá! só sei que há quem desconheça e é isso que acho de uma profunda tristeza.

Isabel José António disse...

Este post faz-me lembrar a Alegoria da Caverna... Quase todos amarrados por grilhetas àquilo que imaginam ser a única forma de (sobre)viver, até que um se liberta, sai do antro sombrio, alcança a LUZ redemptora da REALIDADE! Cego primeiramente pela força da luminosa verdade que se lhe depara, começa enfim a enxergar tudo quanto diante de si se expande... (como quem "subisse escadas" ou passasse "através das portas da percepção"). Mas, movido de compaixão, ou porque é isso que está na sua natureza, regressa para anúnciar a boa nova aos demais, e é morto por aqueles a quem basta a escuridão com os seus deuses irreais...

Um abraço, Maria!

Estes três posts estão todos ligaod e realmente vê-se que a Maria anda, também, a fazer um Percurso sagrado de Descoberta...

Boa Sorte!

Isabel

Anónimo disse...

"
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell bellow us
Above us only sky
Imagine all the people
living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
No religion too
Imagine all the people
living life in peace

Imagine no possessions
I Wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will live as one"

John Lennon

maria disse...

A Isabel despertou-me para uma analogia bem interessante, ao introduzir Platão, com a sua famosa "alegoria", nesta temática.
Não se sente a falta do que desconhece, verdade?

Um abraço.

Isabel José António disse...

E, ao mesmo tempo, isso introduz um outro paradoxo - como se pode procurar aquilo que se desconhece?

Abraço,

Isabel

maria disse...

Meu caro Anónimo,
Obrigada por me trazer John Lennon, com o seu "imagine", em resposta à dúvida contida no meu apontamento, embora eu creia que, na ignorância de tudo, até a imaginação fica muito limitada. É o conhecimento, esse sim, que vai abrindo horizontes à imaginação.
Um abraço.

maria disse...

Precisamente, Isabel.
Um beijo.

Anónimo disse...

Maria,
Sabemos bem que a imaginação é fértil e não tem limites (há quem diga que é de matriz feminina!) e que o conhecimento, a sabedoria, a intuição, o tal sétimo sentido ...
Ah ... tudo isto nos levava tão longe!
Até sempre Maria.

maria disse...

Caro anónimo,
Esse "até sempre" soa-me a despedida...
será assim?


... e as minhas "manias" fazem-me caír no abismo?... ou é, apenas, coincidência de anonimato?

Anónimo disse...

Maria,
O meu homónimo anónimo (decerto concorrente de peso na apreciação do elevado nível do teu blog!) das tuas "manias" não tem nada a ver comigo. Mas subscrevo a primeira parte do que escreveu. Aliás, como sabes, não faz bem o meu estilo essa brincadeira das "manias".
Quanto ao "até sempre" estamos, obviamente, no quadro do intemporal, do metafísico, do "até já" "ali ao virar da curva daquela estrela" (alguns metem-se a ler coisas como amadores de física quântica e depois ... dá nisto!) Ou desejavas uma resposta diferente?! Já agora, será que poderia ser em privado?
E que sentes nos domínios do "sétimo sentido"?
Beijos