sábado, maio 26, 2007

Saber Amar

Les Orangers, de Caillebotte

Ah! Como é bom saber amar alguém,
ter dentro de si aquele amor ardente,
amar com todo ardor que a alma consente
sem temer ser loucura, mal... ou bem.

Mas há quem se iluda, quem diga que ama...
frouxa luz de candeia que se apaga,
simples amor que esvoaça, que divaga,
deixa morrer no coração a chama.

Amor é tudo o que se dá feito ternura,
é ficar preso d'alguém sem amargura,
sem se sentir como ave em cativeiro.

É o encontro de paixões iguais... sentidas;
depois, duas almas numa só unidas,
duas vidas que se entregam por inteiro.

Maria Teodora (2006)

31 comentários:

maria carvalhosa disse...

A minha tia Mariazinha, autora deste e de outros sonetos que já publiquei ou pretendo publicar, colaboradora convidada que honra, com a sua escrita, este meu humilde blogue, tem, actualmente, a bonita idade de 82 anos.

Não posso deixar de referir como me encanta a forma como fala do grande amor que viveu... é preciso alguém ter amado com verdadeira intensidade e plenitude para, muitos anos após a partida do seu amado, manter vivo, na memória, esse fogo de uma vida.

Obrigada, tia, por partilhar connosco a recordação de sentimentos tão íntimos, belos e autênticos.

Um beijo com muito, muito afecto.

bettips disse...

Coisa mais linda...! A tua tia, as palavras de ternura, o quadro ténue do amor! Mando um beijinho para ela, essa alma solta e bela. Bem haja por existir e se partilhar contigo. Abçs

PHYLOS disse...

Maria, obrigado pela visita. Me desculpe por às vezes, não dar retorno, mas meu tempo é exíguo. Em todo caso, obrigado e parabéns pelos belisimos textos que tens por aqui. Abraço.

APC disse...

INCRÍVEL, como pode alguém resumir tão bem aquilo que o amor é, em duas estrofes (refiro-me às últimas, embora todo o poema esteja fantástico). Tua tia?... Parabéns, Maria... Parece que o poder das palavras com emoção runs in the family! :-) ADOREI!!!

Num outro estilo, de uma outra época, deixo-te
aqui uma produção da minha bisavó paterna.

E um grande abraço para ti! :-)

Maria disse...

Querida Maria

Tive a sensação de estar a ler Florbela Espanca...
Só quem amou muito e intensamente pode escrever assim, como dizes...

Os meus parabéns à tua tia,
Um beijo grande para ti

carteiro disse...

Estas são palavras que tocam mesmo! Falar de amor, qualquer um fala... mas falar ASSIM só faz sentido para quem viveu algo muito intenso e que ainda tenha uma grande chama.

Parabéns à tua tia pelas palavras e a ti, por as publicares.

Paula Raposo disse...

Lindíssimo poema!! Gostei imenso. Beijos.

Teresa Durães disse...

amar sem chantagem. sem prender. a forma como entendo o amor. devo ser muito exigente :)

Graça Pires disse...

Eu fiquei fã da tua tia. É um soneto de amor lindíssimo. Obrigada Maria por o partilhares aqui. Um beijo.

vida de vidro disse...

Encantador. A tua ternura pela tua tia. E a beleza das suas palavras neste poema de amor. **

mafalda disse...

Maria,
Que encanto ter uma tia octogenária que, ainda hoje, escreve assim, sobre um tema tão eterno como o amor, mas com uma postura de actualidade, de quem não ficou lá, no passado. Viveu, foi feliz, e tem forças e vontade para, a partir da memória do que vivenciou, reconstruír o mundo
mais-que-perfeito de dois seres que se entregam, de livre e plena vontade, ao usufruto do sentimento que os une.
Gostei mesmo muito. Parabéns à tua tia, pela beleza do que escreve, e a ti, que recorres á sua fabulosa arte poética com indesmentível carinho.
Um beijo para ambas, com muita admiração.

Pirata das Berlengas disse...

Cara Amiga,

Retribuo a sua visita e fico maravilhado com o teor do seu blogue e a jovialidade eterna de sua Tia! Os mesmos mais sentidos parabéns a ambas! Sou um Pirata nalgumas coisas conservador! Encantou-me o poema e tudo o que por aqui vi.

Cumprimentos d' O PIRATA

Isabel José António disse...

Minha querida Maria,

Que lindíssimo poema e que sorte estrema que a sua Tia Mariazinha ainda seja capaz de escrever assim!!! Fico muito feliz!

Muitos beijinhos e passe sempre nos nossos "cantinhos", não esquecendo o Observatório, está bem?

Isabel

Mel de Carvalho disse...

Maria,
Venho agradecer o comentário que fez a um poema meu no "Poesia Portuguesa" e conhecer o seu espaço.
Tomarei a liberdade de a anexar aos meus links.
Gostei bastante. Verifico que em comum, para além do gosto pelas letras, temos os espaços por onde circulamos (Ribatejo e Oeste). Alterno a minha vivência diária entre Peniche e Lisboa(arredores), sendo que a minha escrita e a fotografia são disso ilustrativas, como poderá verificar. O mar e as lezírias ...

Foi um prazer estar aqui,
deixo-lhe o convite para os meus espaços pessoais onde será sempre muito bem vinda.

Um abraço

Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.maresiademel.blogs.sapo.pt

Isabel José António disse...

Querida Amiga Maria Carvalhosa,

Quem tem uma tia (ou uma familiar) assim, tem um tesouro.

Prestando-lhe a minha sentida hoenagem, envio-lhe, expressamente para ela, fazendo a Amiga Maria o favor de lho dar a conhecer, este poema que vai sair agora mesmo:

Amar é dar-se e só querer bem
É ter idade de Não Ter Idade
É fazer o bem sem olhar a quem
É sentir a eterna tranquilidade

É estar aberto ao que é novidade
É estar sempre pronto para partir
É sentir um frémito para a verdade
É sentir no rosto a brisa a fluir

É não esperar nada em troca e dar
Amizade, amor, carinho paixão
Ternura, sabedoria, asas para voar
É tudo sentir num imenso coração

É afligir-se quando se vê uma dôr
É tomar para si a responsabilidade
De querer fazer o bem com ardor
É ir de mãos dadas à eternidade

Dê por mim um grande abraço à sua tia feliz responsaável por este seu post. Parabéns para si pela sensibilidade.

Grande abraço

José António

marta disse...

É lindo o poema.

Simples, como só o amor consegue ser.
Meia-dúzia de palavras e está descrita uma vida a dois.

parabéns, não darei, porque não se dá parabéns a quem assim ama.
Admira-se, curvo-me perante a generosidade de quem assim soube amar.

Isabel José António disse...

Querida Maria,

Vá ao nosso Observatório! Também lá encontrará um exemplo de vida semelhante, provavelmente, ao da sua Tia Mariazinha! Um grande abraço,

Isabel

alice disse...

cara maria, agradeço o seu comentário sobre a antologia e recordo que não enviou o mail. peço o favor de confirmar se deseja que lhe envie um exemplar por correio. muito grata. beijinho

maria carvalhosa disse...

Amiga Alice,

Acabei de lhe enviar o mail. Fico a aguardar, com ansiedade, a oportunidade de ler o livro. Mais uma vez: os meus sinceros parabéns!

Um beijinho.

Licínia Quitério disse...

Ah l'amour, l'amour...

Que linda Tia.

Dá-lhe um beijinho terno.

TINTA PERMANENTE disse...

O soneto é, por excelência, a forma certa de soletrar Amor; que, de alguma forma, os poetas, nos faz supor coisa semelhante à sede: uma gota de àgua, aumenta-o...
E, neste balouçar do Tempo, que lhe propicia uma tia que tão belamente faz a ponte...
...tudo fica perfeito!
Abraços.

Maria P. disse...

Que encanto! Depois saber a idade de quem escreveu, talvez explique tudo...

Um beijinho*

Entre linhas disse...

Que encanto de poema,revelador de grande sensibilidade e ternura.
A experiência de uma octogenária de uma vivência a dois descrita com a maior simplicidade.
Beijinho grande á tia e sobrinha.
Bjs Zita

A.S. disse...

Parabéns por este belissimo soneto!...


Um beijo!

o alquimista disse...

Lindo ...lindo...belo...!


Doce beijo

Perdido disse...

Com esta do "encontro de paixões iguais" deu-me para ficar aqui a matutar. Esta tia tem que se lhe diga, tem muito sumo. E não se fica pelo "encontro"(eros? pathos?); há mais, há o "depois", há a "entrega" incondicional (agapê?). [Agora estraguei tudo: dá-me a ideia de que este comentário está a entrar pela idiotice adentro!].

Imagino a tia como um bombom octogenário: doce, inteligente, sensível e experimentada. Depois tem o verbo, todo direito, nem de mais nem de menos, soneto traçado a esquadria com a naturalidade de quem confecciona doçaria. Dê um beijinho meu à tia, se não se importa.

Agora a sobrinha: entrou no meu cantinho, toda sem cerimónia e muito desempoeirada a dizer que isto e que aquilo, sei lá, que me vai ler até cair para o lado de exaustão, que me vai recomendar aos amigos e até ameaça que me leva a tabuleta para pôr no seu jardim. Que leve. E lhe faça bom proveito. Que bem podia ter-se lembrado de ir ao frigorífico. É que ao lado dos martinis, dos runs, dos gins e dos conhaques, tenho por lá uns papéis amarelecidos que bem jeito me dava se os levasse. Da próxima vez, preparo uns pastelinhos de bacalhau. Mas diga-me, se não gostar, faço outra coisa qualquer que fique mais ao jeito do seu dente.

Agora, tentando ser mais atinado: gostei da forma como me "assediou", vim ao seu blogue que gostei muito, mas isso foram só primeiras impressões. Virei cá com mais tempo, prometo, que isto de "apreciar" requer tempo e repetição.

Há uma coisa que me incomoda, é que me tratem por "você" o que quase me obriga à recíproca. Creio que a única pessoa a quem não trataria por tu seria o Ramalho Eanes: "sim, senhor general", "não, senhor general". Não sei explicar porquê.

A propósito de reciprocidade, vou-te roubar a tabuleta para a pôr no meu jardim.

Beijinhos.

Maria disse...

Vim reler-te... apeteceu-me...

Beijo

Perdido disse...

Quanto a "por desconhecimento acentuado da tua pessoa e evidente ausência de referências (por enquanto) que me permitam fundamentar a listagem de atributos" concedi o privilégio de assistires a um striptease bem completo da minha pessoa lá no "ver o meu perfil completo". O nome próprio é coisa que só se revela na intimidade; por isso, não o exponho em público. Se te puseres em contacto no Messenger, logo se verá...

sonhadora disse...

Um post que me deixou a sonhar.
Beijinhos embrulhados em abraços

Nilson Barcelli disse...

Ia perguntar-te quem era a Maria Teodora.
É que já li vários poemas dela e achei-os sempre muito bons.
Ela sabe escrever, é uma senhora na idade e na palavra. Já publicou livros?
Parabéns à tua tia e a ti, por nos teres dado a conhecer esta magnífica poesia.
Bom fim-de-semana.
Beijinhos.

Isabel disse...

Maria não pude deixar de aqui vir convidar-te a vir ler algo sobre a nossa Duras. Ou melhor sobre mim e sobre ela e a sua importância para mim.

O poema é belissimo.

União de almas... não acreditando eu em nada quase, quase acredito que unir duas almas seja possivel.
não sei se bom se eternamente tortuoso, mas possivel, talvez sim.

Um beijo.

Isabel