terça-feira, outubro 30, 2007

A doçura de Outubro (ontem como hoje)



O ano passado publiquei um post a que dei o título de Outubro Doce.






Este ano voltou o sentimento, ao longo de todo o mês, como se me fosse dado viver, neste período, o que de mais pacífico e tranquilo existe na vida. É um tempo lânguido e terno. Um tempo de carinho e de doçura. Um tempo de harmonia e de bem-estar comigo e com os outros: com tudo o que sou e com o que me rodeia. Em Outubro sou feliz. Logo, logo, virá o Novembro, com os seus dias cinzento-escuros e a inevitável melancolia, que contamina a paisagem, traz consigo o desconforto da humidade, a tristeza dos dias curtos e escuros, o frio que penetra a roupa e se infiltra até aos ossos, até à alma.






Entretanto, celebro Outubro... os tons suaves do céu, do mar, da areia, dos tapetes de folhas que se formam em volta das árvores, os sorrisos das pessoas que amo, a calma de um entardecer morno e cúmplice, na maré-vazia, quando a luz é branda e o ar que respiro está impregnado de um misto do cheiro da maresia, numa brisa aconchegante, com o aroma das plantas que povoam as dunas: doce.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Sintra... Nas Brumas da Memória

"A Fonte das Brumas" - Gustavo Fernandes


"O eco de Anesir" - Luís Vieira-Baptista


"Noites Mouriscas" - Victor Lages

Foi em 1995 (já lá vão 12 anos, é verdade) que aceitei o convite para estar presente na inaguração de uma exposição do "Grupo Artitude", em Sintra. Três artistas na flor da idade, com sensibilidades, vontades e um atelier em comum, tinham acatado o desafio da Câmara Municipal para, ao sabor da imaginação e da arte, recriarem Sintra... nas brumas da memória. Foi esse o tema da exposição e ali pude encontrar inúmeras pinturas maravilhosas, destes três homens que, desde logo, passaram a fazer parte dos pintores portugueses contemporâneos meus preferidos.
Nesse dia adquiri os três quadros cujas imagens aqui reproduzo (e tive que me apressar porque a procura era muita!). Apaixonei-me, à primeira vista, por estas três pinturas, cada uma de seu autor, por mera coincidência.
Depois, com o correr dos anos, fui seguindo as suas carreiras, que trilharam caminhos distintos, uma vez desfeito o grupo que os impulsionou, e apreciando a evolução de cada um, tendo levado para casa mais algumas pinturas de um deles, aquele com quem julgo ter maiores afinidades, o que melhor dialoga com a minha "corda sensível". Continuo a visitar as exposições individuais de cada um dos três autores, sempre que posso, mas há já algum tempo que não consigo trazer comigo a ilusão de mais um pedaço das suas almas, para me fazer companhia, o tempo todo, no meu canto: "indisponibilidades financeiras", nada de mais...
Resta-me, além disso, visitar os seus sites para ficar actualizada relativamente às obras que vão produzindo... e sonhar... que volto a poder trazer para casa a materialização de uma ou outra que gostaria de ter sempre ao alcance do olhar, da contemplação.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Luz d'Outono

Laughing Whitefish State Park Upper Peninsula Michigan Fall colors 2005
No entardecer nostálgico d'Outono
calmo, de luz doirada, transparente,
na mística e doce luz do sol poente,
naquela paz descanso, me abandono.
Longe, no horizonte vai o sol morrer,
somente uma poalha d'oiro anda no ar;
e na penumbra me perco a procurar
sempre a mesma luz, outro amanhecer.
Um crepúsculo, agora, me adormece
naquela vaga luz quando anoitece
se não me acordam fortes vendavais.
Luz que sendo tão frouxa, indefinida,
nela durmo o sono breve desta vida,
com medo de acordar cedo de mais.
Maria Teodora, 2003